
O ano de 1888 foi rico. No Brasil, a princesa Isabel libertava os escravos, enquanto Bertha Benz ajudava a humanidade a se libertar de um tipo mais sutil de escravidão: a falta de mobilidade. Esposa de Carl Benz, ela ajudou a provar que veículos a combustão eram viáveis como meio de transporte e seguros no reabastecimento. Tudo isso com uma viagem de Mannheim a Pforzheim no Patent Motor Car, considerado o primeiro automóvel do mundo. Acompanhada dos dois filhos, vale ressaltar. Em homenagem a ela, a Mercedes-Benz repetiu a viagem feita por Bertha no F-CELL Roadster, carro por sua vez criado para homenagear o veículo que a transportou.Criado por mais de 150 trainees da Daimler AG, empresa que controla a Mercedes-Benz, o F-CELL é impulsionado por células de combustível de 1,2 kW. Com sua carroceria de plástico reforçado por fibra de vidro, é capaz de atingir a velocidade máxima de 25 km/h (mais ou menos o que o primeiro automóvel do mundo fazia) e percorrer 350 km.Bertha não tinha uma autonomia parecida com que contar. Não havia postos de abastecimento na época e o reservatório de Ligroin, nome da gasolina, na época, era de apenas 4,5 litros. Para comprá-la, era preciso ir a farmácias, como a visitada pelo F-CELL Roadster em Wiesloch, a mesma que, em 1888, vendeu gasolina, ou melhor, Ligroin, a Bertha Benz. Ainda em funcionamento, a Stadt Apotheke se orgulha de ter sido o primeiro posto de gasolina do mundo.Em vez de um volante, o F-CELL Roadster traz uma alavanca, assim como o Patent Motor Car. A diferença é que a alavanca do modelo retrofuturista não tem ligação mecânica com as rodas. Tudo é comandado pelo sistema drive-by-wire, ou seja, os comandos são totalmente elétricos.Isso demonstra que, assim como o pioneiro no mundo dos automóveis, o F-CELL também teria a dura missão de convencer as pessoas a mudar seus hábitos. No caso do Bez Patent Motor Car, a missão era convencer que motores a combustão eram seguros, que gasolina podia ser manipulada sem riscos demasiados e que aquela coisa então barulhenta chamada automóvel poderia substituir as carruagens. Para isso, o carrinho contou com a ajuda dessa corajosa mulher. A viagem correu sem problemas e Bertha voltou para casa em segurança, o que ajudou as pessoas da época a olharem para o automóvel não como uma máquina estranha, mas como uma carta de alforria contra distâncias intransponíveis ou difíceis de vencer.No caso do F-CELL, troque motor a combustão por sistemas drive-by-wire e células de combustível e gasolina por hidrogênio. Hoje, como na época, é preciso criar uma rede de abastecimento energético, que forneça o gás, assim como os postos hoje fornecem combustível. O desafio, como se vê, será muito parecido, se não for maior.
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